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Terminologia sobre deficiência na era da inclusão


Autoria: Romeu Kazumi Sassaki
Data: 20/7/2002
Resuno:
Usar ou não usar termos técnicos corretamente não é uma mera questão semântica ou sem importância, se desejamos falar ou escrever construtivamente, numa perspectiva inclusiva, sobre qualquer assunto de cunho humano. E a terminologia correta é especialmente importante quando abordamos assuntos tradicionalmente eivados de preconceitos, estigmas e estereótipos, como é o caso das deficiências que aproximadamente 10% da população possuem.


"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda." Paulo Freire Terminologia sobre deficiência na era da inclusão Romeu Kazumi Sassaki, 2002 - Consultor de inclusão social e autor do livro Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos (4.ed., Rio de Janeiro: WVA, 2002) E-mail: romeukf@uol.com.br Usar ou não usar termos técnicos corretamente não é uma mera questão semântica ou sem importância, se desejamos falar ou escrever construtivamente, numa perspectiva inclusiva, sobre qualquer assunto de cunho humano. E a terminologia correta é especialmente importante quando abordamos assuntos tradicionalmente eivados de preconceitos, estigmas e estereótipos, como é o caso das deficiências que aproximadamente 10% da população possuem. Os termos são considerados corretos em função de certos valores e conceitos vigentes em cada sociedade e em cada época. Assim, eles passam a ser incorretos quando esses valores e conceitos vão sendo substituídos por outros, o que exige o uso de outras palavras. Estas outras palavras podem já existir na língua falada e escrita, mas, neste caso, passam a ter novos significados. Ou então são construídas especificamente para designar conceitos novos. O maior problema decorrente do uso de termos incorretos reside no fato de os conceitos obsoletos, as idéias equivocadas e as informações inexatas serem inadvertidamente reforçados e perpetuados. Este fato pode ser a causa da dificuldade ou excessiva demora com que o público leigo e os profissionais mudam seus comportamentos, raciocínios e conhecimentos em relação, por exemplo, à situação das pessoas com deficiência. O mesmo fato também pode ser responsável pela resistência contra a adoção de novos paradigmas, como vem acontecendo na mudança que vai da integração social para a inclusão social. Trata-se, pois, de uma questão da maior importância em todos os países. Existe uma literatura consideravelmente grande em várias línguas. No Brasil, tem havido tentativas de levar ao público a terminologia correta para uso na abordagem de assuntos de deficiência a fim de que desencorajemos práticas discriminatórias e construamos uma verdadeira sociedade inclusiva. A seguir, apresentamos várias expressões incorretas seguidas de comentários e dos equivalentes termos corretos, com o objetivo de subsidiar o trabalho de estudantes de qualquer grau do sistema educacional, pessoas com deficiência e familiares, profissionais de diversas áreas (reabilitação, educação, mídia, esportes, lazer etc.), que necessitam falar e escrever sobre assuntos de pessoas com deficiência no seu dia-a-dia. Ouvimos e/ou lemos esses termos incorretos em livros, revistas, jornais, programas de televisão e de rádio, apostilas, reuniões, palestras e aulas. A enumeração de cada expressão incorreta servirá para direcionar o leitor de uma expressão para outra quando os comentários forem os mesmos para diferentes expressões (ou pertinentes entre si), evitando-se desta forma a repetição dos comentários. As abreviaturas significam: FC - Frase Correta GC - Grafia Correta TC - Termo Correto. 1.adolescente normal Desejando referir-se a um adolescente (uma criança ou um adulto) que não possua uma deficiência, muitas pessoas usam as expressões adolescente normal, criança normal e adulto normal. Isto acontecia muito no passado, quando a desinformação e o preconceito a respeito de pessoas com deficiência eram de tamanha magnitude que a sociedade acreditava na normalidade das pessoas sem deficiência. Esta crença fundamentava-se na idéia de que era anormal a pessoa que tivesse uma deficiência. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. TC: adolescente (criança, adulto) sem deficiência ou, ainda, adolescente (criança, adulto) não-deficiente. 2. aleijado; defeituoso; incapacitado; inválido Estes termos eram utilizados com freqüência até a década de 80. A partir de 1981, por influência do Ano Internacional das Pessoas Deficientes, começa-se a escrever e falar pela primeira vez a expressão pessoa deficiente. O acréscimo da palavra pessoa, passando o vocábulo deficiente para a função de adjetivo, foi uma grande novidade na época. No início, houve reações de surpresa e espanto diante da palavra pessoa: "Puxa, os deficientes são pessoas!?" Aos poucos, entrou em uso a expressão pessoa portadora de deficiência, freqüentemente reduzida para portadores de deficiência. Por volta da metade da década de 90, entrou em uso a expressão pessoas com deficiência, que permanece até os dias de hoje. Ver os itens 47 e 48. 3. "apesar de deficiente, ele é um ótimo aluno" Na frase acima há um preconceito embutido: ?A pessoa com deficiência não pode ser um ótimo aluno?. FC: "ele tem deficiência e é um ótimo aluno". 4. "aquela criança não é inteligente" Todas as pessoas são inteligentes, segundo a Teoria das Inteligências Múltiplas. Até o presente, foi comprovada a existência de nove tipos de inteligência (lógico-matemática, verbal-lingüística, interpessoal, intrapessoal, musical, naturalista, corporal-cinestésica, visual-espacial e espiritual). FC: "aquela criança é menos desenvolvida na inteligência [por ex.] lógico-matemática". 5. cadeira de rodas elétrica Trata-se de uma cadeira de rodas equipada com um motor. TC: cadeira de rodas motorizada. 6. ceguinho O diminutivo ceguinho denota que o cego não é tido como uma pessoa completa. A rigor, diferencia-se entre deficiência visual parcial (baixa visão ou visão subnormal) e cegueira (quando a deficiência visual é total). TC: cego; pessoa cega; pessoa com deficiência visual; deficiente visual. Ver o item 59. 7. classe normal TC: classe comum; classe regular. No futuro, quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastará o uso da palavra classe sem adjetivá-la. Ver os itens 25 e 51. 8. criança excepcional TC: criança com deficiência mental. Excepcionais foi o termo utilizado nas décadas de 50, 60 e 70 para designar pessoas deficientes mentais. Com o surgimento de estudos e práticas educacionais nas décadas de 80 e 90 a respeito de altas habilidades ou talentos extraordinários, o termo excepcionais passou a referir-se tanto a pessoas com inteligências múltiplas acima da média [pessoas superdotadas ou com altas habilidades e gênios] quanto a pessoas com inteligência lógico-matemática abaixo da média [pessoas com deficiência mental] daí surgindo, respectivamente, os termos excepcionais positivos e excepcionais negativos, de raríssimo uso. 9. defeituoso físico Defeituoso, aleijado e inválido são palavras muito antigas e eram utilizadas com freqüência até o final da década de 70. O termo deficiente, quando usado como substantivo (por ex., o deficiente físico), está caindo em desuso. TC: pessoa com deficiência física. Ver os itens 10 e 11. 10. deficiências físicas (como nome genérico englobando todos os tipos de deficiência). TC: deficiências (como nome genérico, sem especificar o tipo, mas referindo-se a todos os tipos). Alguns profissionais, não-familiarizados com o campo da reabilitação, acreditam que as deficiências físicas são divididas em motoras, visuais, auditivas e mentais. Para eles, deficientes físicos são todas as pessoas que têm deficiência de qualquer tipo. Ver os itens 9 e 11. 11. deficientes físicos (referindo-se a pessoas com qualquer tipo de deficiência). TC: pessoas com deficiência (sem especificar o tipo de deficiência). Ver os itens 9 e 10. 12. deficiência mental leve, moderada, severa, profunda TC: deficiência mental (sem especificar nível de comprometimento). A nova classificação da deficiência mental, baseada no conceito publicado em 1992 pela Associação Americana de Deficiência Mental, considera a deficiência mental não mais como um traço absoluto da pessoa que a tem e sim como um atributo que interage com o seu meio ambiente físico e humano, que por sua vez deve adaptar-se às necessidades especiais dessa pessoa, provendo-lhe o apoio intermitente, limitado, extensivo ou permanente de que ela necessita para funcionar em 10 áreas de habilidades adaptativas: comunicação, autocuidado, habilidades sociais, vida familiar, uso comunitário, autonomia, saúde e segurança, funcionalidade acadêmica, lazer e trabalho. Ver os itens 35 e 50. 13. deficiente mental (referindo-se à pessoa com transtorno mental) TC: pessoa com doença mental, pessoa com transtorno mental, paciente psiquiátrico. 14. doente mental (referindo-se à pessoa com déficit intelectual) TC: pessoa com deficiência mental, pessoa deficiente mental. O termo deficiente, quando usado como substantivo (por ex.: o deficiente físico, o deficiente mental), tende a desaparecer, exceto em títulos de matérias jornalísticas por motivo de economia de espaço. 15. "ela é cega mas mora sozinha" Na frase acima há um preconceito embutido: ?Todo cego não é capaz de morar sozinho?. FC: "ela é cega e mora sozinha" 16. "ela é retardada mental mas é uma atleta excepcional" Na frase acima há um preconceito embutido: ?Toda pessoa com deficiência mental não tem capacidade para ser atleta?. FC: "ela tem deficiência mental e se destaca como atleta" 17. "ela é surda [ou cega] mas não é retardada mental" A frase acima contém um preconceito: ?Todo surdo ou cego tem retardo mental?. Retardada mental, retardamento mental e retardo mental são termos do passado. FC: "ela é surda [ou cega] e não é deficiente mental". 18. "ela foi vítima de paralisia infantil" A poliomielite já ocorreu nesta pessoa (por ex., ?ela teve pólio?). Enquanto a pessoa estiver viva, ela tem seqüela de poliomielite. A palavra vítima provoca sentimento de piedade. FC: "ela teve [flexão no passado] paralisia infantil" e/ou "ela tem [flexão no presente] seqüela de paralisia infantil". 19. "ela teve paralisia cerebral" (referindo-se a uma pessoa viva no presente) A paralisa cerebral permanece com a pessoa por toda a vida. FC: "ela tem paralisia cerebral". 20. ?ele atravessou a fronteira da normalidade quando sofreu um acidente de carro e ficou deficiente? A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável. A palavra sofrer coloca a pessoa em situação de vítima e, por isso, provoca sentimentos de piedade. FC: ?ele teve um acidente de carro que o deixou com uma deficiência?. 21. ?ela foi vítima da pólio? A palavra vítima provoca sentimento de piedade. TC: pólio, poliomielite e paralisia infantil. FC: ?ela teve pólio? 22. ?ele é surdo-cego? GC: ?ele é surdocego?. Também podemos dizer ou escrever: ?ele tem surdocegueira?. Ver o item 55. 23. ?ele manca com bengala nas axilas? FC: ?ele anda com muletas axilares?. No contexto coloquial, é correto o uso do termo muletante para se referir a uma pessoa que anda apoiada em muletas. 24. ?ela sofre de paraplegia? [ou de paralisia cerebral ou de seqüela de poliomielite] A palavra sofrer coloca a pessoa em situação de vítima e, por isso, provoca sentimentos de piedade. FC: ?ela tem paraplegia? [ou paralisia cerebral ou seqüela de poliomielite]. 25. escola normal No futuro, quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastará o uso da palavra escola sem adjetivá-la. TC: escola comum; escola regular. Ver os itens 7 e 51. 26. ?esta família carrega a cruz de ter um filho deficiente? Nesta frase há um estigma embutido: ?Filho deficiente é um peso morto para a família?. FC: ?esta família tem um filho com deficiência?. 27. ?infelizmente, meu primeiro filho é deficiente; mas o segundo é normal? A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável, ultrapassado. E a palavra infelizmente reflete o que a mãe pensa da deficiência do primeiro filho: ?uma coisa ruim?. FC: ?tenho dois filhos: o primeiro tem deficiência e o segundo não tem?. 28. intérprete do LIBRAS TC: intérprete da Libras (ou de Libras). GC: Libras. Libras é sigla de Língua de Sinais Brasileira. ?Libras é um termo consagrado pela comunidade surda brasileira, e com o qual ela se identifica. Ele é consagrado pela tradição e é extremamente querido por ela. A manutenção deste termo indica nosso profundo respeito para com as tradições deste povo a quem desejamos ajudar e promover, tanto por razões humanitárias quanto de consciência social e cidadania. Entretanto, no índice lingüístico internacional os idiomas naturais de todos os povos do planeta recebem uma sigla de três letras como, por exemplo, ASL (American Sign Language). Então será necessário chegar a uma outra sigla. Tal preocupação ainda não parece ter chegado na esfera do Brasil?, segundo CAPOVILLA (comunicação pessoal). Ver os itens 31, 32 e 33. 29. inválido (referindo-se a uma pessoa) A palavra inválido significa sem valor. Assim eram consideradas as pessoas com deficiência desde a Antiguidade até o final da Segunda Guerra Mundial. TC: pessoa com deficiência. 30. lepra; leproso; doente de lepra TC: hanseníase; pessoa com hanseníase; doente de hanseníase. Prefira o termo as pessoas com hanseníase ao termo os hansenianos. A lei federal nº 9.010, de 29-3-95, proíbe a utilização da palavra lepra e seus derivados, na linguagem empregada nos documentos oficiais. Alguns dos termos derivados e suas respectivas versões oficiais são: leprologia (hansenologia), leprologista (hansenologista), leprosário ou leprocômio (hospital de dermatologia), lepra lepromatosa (hanseníase virchoviana), lepra tuberculóide (hanseníase tuberculóide), lepra dimorfa (hanseníase dimorfa), lepromina (antígeno de Mitsuda), lepra indeterminada (hanseníase indeterminada). A palavra hanseníase deve ser pronunciada com o h mudo [como em haras, haste, harpa]. Mas, pronuncia-se o nome Hansen (do médico e botânico norueguês Armauer Gerhard Hansen) com o h aspirado. 31. LIBRAS - Linguagem Brasileira de Sinais GC: Libras. TC: Língua de Sinais Brasileira. Trata-se de uma língua e não de uma linguagem. Segundo CAPOVILLA [comunicação pessoal], ?Língua de Sinais Brasileira é preferível a Língua Brasileira de Sinais por uma série imensa de razões. Uma das mais importantes é que Língua de Sinais é uma unidade, que se refere a uma modalidade lingüística quiroarticulatória-visual e não oroarticulatória-auditiva. Assim, há Língua de Sinais Brasileira. porque é a língua de sinais desenvolvida e empregada pela comunidade surda brasileira. Não existe uma Língua Brasileira, de sinais ou falada?. Ver os itens 28, 32 e 33. 32. língua dos sinais TC: língua de sinais. Trata-se de uma língua viva e, por isso, novos sinais sempre surgirão. A quantidade total de sinais não pode ser definitiva. Ver os itens 28, 31 e 33. 33. linguagem de sinais TC: língua de sinais. A comunicação sinalizada dos e com os surdos constitui um língua e não uma linguagem. Já a comunicação por gestos, envolvendo ou não pessoas surdas, constitui uma linguagem gestual. Uma outra aplicação do conceito de linguagem se refere ao que as posturas e atitudes humanas comunicam não-verbalmente, conhecido como a linguagem corporal. Ver os itens 28, 31 e 32. 34. Louis Braile GC: Louis Braille. O criador do sistema de escrita e impressão para cegos foi o educador francês Louis Braille (1809-1852), que era cego. Ver os itens 52 e 53. 35. mongolóide; mongol TC: pessoa com síndrome de Down, criança com Down, uma criança Down. As palavras mongol e mongolóide refletem o preconceito racial da comunidade científica do século 19. Em 1959, os franceses descobriram que a síndrome de Down era um acidente genético. O termo Down vem de John Langdon Down, nome do médico inglês que identificou a síndrome em 1866. ?A síndrome de Down é uma das anomalias cromossômicas mais freqüentes encontradas e, apesar disso, continua envolvida em idéias errôneas... Um dos momentos mais importantes no processo de adaptação da família que tem uma criança com síndrome de Down é aquele em que o diagnóstico é comunicado aos pais, pois esse momento pode ter grande influência em sua reação posterior.? (MUSTACCHI, 2000, p. 880). Ver os itens 12 e 50. 36. mudinho Quando se refere ao surdo, a palavra mudo não corresponde à realidade dessa pessoa. O diminutivo mudinho denota que o surdo não é tido como uma pessoa completa. TC: surdo; pessoa surda; pessoa com deficiência auditiva. Há casos de pessoas que ouvem (portanto, não são surdas) mas têm um distúrbio da fala (ou deficiência da fala) e, em decorrência disso, não falam. Ver os itens 46, 56 e 57. 37. necessidades educativas especiais TC: necessidades educacionais especiais. A palavra educativo significa algo que educa. Ora, necessidades não educam; elas são educacionais, ou seja, concernentes à educação (SASSAKI, 1999). O termo necessidades educacionais especiais foi adotado pelo Conselho Nacional de Educação / Câmara de Educação Básica (Resolução nº 2, de 11-9-01, com base no Parecer CNE/CEB nº 17/2001, homologado pelo MEC em 15-8-01). 38. o epilético TC: a pessoa com epilepsia, a pessoa que tem epilepsia. Evite fazer a pessoa inteira parecer deficiente. 39. o incapacitado TC: a pessoa com deficiência. A palavra incapacitado é muito antiga e era utilizada com freqüência até a década de 80. 40. o paralisado cerebral TC: a pessoa com paralisia cerebral. Prefira sempre destacar a pessoa em vez de fazer a pessoa inteira parecer deficiente. 41. ?paralisia cerebral é uma doença? FC: ?paralisia cerebral é uma condição? Muitas pessoas confundem doença com deficiência. 42. pessoa normal TC: pessoa sem deficiência; pessoa não-deficiente. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. 43. pessoa presa [confinada, condenada] a uma cadeira de rodas TC: pessoa em cadeira de rodas; pessoa que anda em cadeira de rodas; pessoa que usa cadeira de rodas. Os termos presa, confinada e condenada provocam sentimentos de piedade. No contexto coloquial, é correto o uso dos termos cadeirante e chumbado. 44. pessoas ditas deficientes TC: pessoas com deficiência. A palavra ditas, neste caso, funciona como eufemismo para negar ou suavizar a deficiência, o que é preconceituoso. 45. pessoas ditas normais TC: pessoas sem deficiência; pessoas não-deficientes. Neste caso, o termo ditas é utilizado para contestar a normalidade das pessoas, o que se torna redundante nos dias de hoje. 46. pessoa surda-muda GC: pessoa surda ou, dependendo do caso, pessoa com deficiência auditiva. Quando se refere ao surdo, a palavra mudo não corresponde à realidade dessa pessoa. A rigor, diferencia-se entre deficiência auditiva parcial (quando há resíduo auditivo) e surdez (quando a deficiência auditiva é total). Ver o item 36. 47. portador de deficiência TC: pessoa com deficiência. No Brasil, tornou-se bastante popular, acentuadamente entre 1986 e 1996, o uso do termo portador de deficiência (e suas flexões no feminino e no plural). Pessoas com deficiência vêm ponderando que elas não portam deficiência; que a deficiência que elas têm não é como coisas que às vezes portamos e às vezes não portamos (por exemplo, um documento de identidade, um guarda-chuva). O termo preferido passou a ser pessoa com deficiência. Ver os itens 2 e 48. 48. PPD?s GC: PPDs. Não se usa apóstrofo para designar o plural de siglas. A mesma regra vale para siglas como ONGs (e não ONG?s). No Brasil, tornou-se bastante popular, acentuadamente entre 1986 e 1996, o uso do termo pessoas portadoras de deficiência. Hoje, o termo preferido passou a ser pessoas com deficiência, motivando o desuso da sigla PPDs. Ver os itens 2 e 47. 49. quadriplegia; quadriparesia TC: tetraplegia; tetraparesia. No Brasil, o elemento morfológico tetra tornou-se mais utilizado que o quadri. Ao se referir à pessoa, prefira o termo pessoa com tetraplegia (ou tetraparesia) no lugar de o tetraplégico ou o tetraparético. 50. retardo mental, retardamento mental TC: deficiência mental. São pejorativos os termos retardado mental, mongolóide, mongol, pessoa com retardo mental, portador de retardamento mental, portador de mongolismo etc. Ver os itens 12 e 35. 51. sala de aula normal TC: sala de aula comum. Quando todas as escolas forem inclusivas, bastará o termo sala de aula sem adjetivá-lo. Ver os itens 7 e 25. 52. sistema inventado por Braile GC: sistema inventado por Braille. O nome Braille (de Louis Braille, inventor do sistema de escrita e impressão para cegos) se escreve com dois l (éles). Braille nasceu em 1809 e morreu aos 43 anos de idade. Ver os itens 34, 53 e 58. 53. sistema Braille GC: sistema braile. Conforme MARTINS (1990), grafa-se Braille somente quando se referir ao educador Louis Braille. Por ex.: ?A casa onde Braille passou a infância (...)?. Nos demais casos, devemos grafar: [a] braile (máquina braile, relógio braile, dispositivo eletrônico braile, sistema braile, biblioteca braile etc.) ou [b] em braile (escrita em braile, cardápio em braile, placa metálica em braile, livro em braile, jornal em braile, texto em braile etc.). Ver os itens 34, 52 e 58. 54. ?sofreu um acidente e ficou incapacitado? FC: ?teve um acidente e ficou deficiente?. A palavra sofrer coloca a pessoa em situação de vítima e, por isso, provoca sentimentos de piedade. 55. surdez-cegueira GC: surdocegueira. É um dos tipos de deficiência múltipla. Ver o item 22. 56. surdinho TC: surdo; pessoa surda; pessoa com deficiência auditiva. O diminutivo surdinho denota que o surdo não é tido como uma pessoa completa. Os próprios cegos gostam de ser chamados cegos e os surdos de surdos, embora eles não descartem os termos pessoas cegas e pessoas surdas. Ver os itens 36, 46 e 57. 57. surdo-mudo GC: surdo; pessoa surda; pessoa com deficiência auditiva. Quando se refere ao surdo, a palavra mudo não corresponde à realidade dessa pessoa. A rigor, diferencia-se entre deficiência auditiva parcial (quando há resíduo auditivo) e surdez (quando a deficiência auditiva é total). Evite usar a expressão o deficiente auditivo. Ver os itens 36, 46 e 56. 58. texto (ou escrita, livro, jornal, cardápio, placa metálica) em Braille TC: texto em braile; escrita em braile; livro em braile; jornal em braile; cardápio em braile; placa metálica em braile. Ver o item 53. 59. visão sub-normal GC: visão subnormal. TC: baixa visão. É preferível baixa visão a visão subnormal. A rigor, diferencia-se entre deficiência visual parcial (baixa visão) e cegueira (quando a deficiência visual é total). Ver o item 6. Referências bibliográficas ANTUNES, Celso. Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender. Porto Alegre: Artmed, 2002. _____. A construção do afeto: Como estimular as múltiplas inteligências de seus filhos. São Paulo: Augustus, 2000, 157 p. _____. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. Petrópolis, 1999, 300 p. _____. As múltiplas inteligências e seus estímulos. Campinas: Papirus, 1998, 141 p. CAPOVILLA, Fernando. Comunicação pessoal por e-mail. em 6 jun. 2001. Para maiores detalhes, consultar Capovilla & Raphael (2001). CAPOVILLA, F. C., & RAPHAEL, W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngüe da língua de sinais brasileira. São Paulo: Edusp, 2001 (dois volumes). CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO/CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA. Resolução n° 2, de 11-9-01. _____. Parecer n° 17, de 3-7-01. GARDNER, Howard. Inteligência: Um conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, 347 p. GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Identificando o aluno com deficiência mental: Critérios e parâmetros. Rio de Janeiro: Coordenação de Educação Especial, s/d (c. 2001) MARTINS, Eduardo. Manual de redação e estilo.São Paulo: O Estado de S. Paulo, 1990, p. 313. MUSTACCHI, Zan. ?Síndrome de Down?. In: MUSTACCHI, Zan & PERES, Sergio. Genética baseada em evidências: Síndromes e heranças. São Paulo: CID Editora, 2000. SASSAKI, Romeu Kazumi. Uma lição de inclusão social no filme Uma Lição de Amor. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, V:25, mar./abr. 2002, pp. 4-5. _____. Inteligências múltiplas na educação inclusiva. São Paulo, 2001 (apostila de curso) _____. Vocabulário usado pela mídia: O certo e o errado. Recife, 2000 (apostila de curso). _____. Inclusão: Construindo uma sociedade para todos. 3.ed. Rio de Janeiro: WVA, 1999. _____. A educação especial e a leitura para o mundo: A mídia. Campinas, 1997 (apostila de palestra). VOCÊ diz mongolóide ou mongol. Nós dizemos síndrome de Down. Seus amigos preferem chamá-lo de Bruno. Folheto do Projeto Down - Centro de Informação e Pesquisa da Síndrome de Down. São Paulo, s/d.

 
 
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