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OBESIDADE


Autoria: Dra. Lilian de Mattos Carvalho
Data: 3/4/2006
Resuno:
A obesidade é uma séria doença crônica que nos últimos anos sofreu uma verdadeira revolução nos seus conceitos.


OBESIDADE Dra. Lilian de Mattos Carvalho Pediatra e Nutróloga do HSE e IEDE e-mail:lilimai@wnt.com.br A obesidade é uma séria doença crônica que nos últimos anos sofreu uma verdadeira revolução nos seus conceitos. Anteriormente entendida como decorrente da gula, da falta de força de vontade ou de uma fraqueza de caráter ou ainda como conseqüência de um distúrbio psicológico, agora tem suas bases fisiopatológicas mais esclarecidas. Em resumo, pode-se dizer que a obesidade é uma doença de susceptibilidade genética, com forte influência ambiental em que diversos mecanismos metabólicos estariam alterados favorecendo um balanço energético positivo e o ganho de peso. A obesidade representa atualmente um dos principais problemas médicos e vem sendo considerada como uma epidemia e um grande problema de saúde publica e, por tornar-se crônica, alcança outras esferas, como a social, psicológica e econômica. A tendência ao crescimento do numero de obesos no mundo moderno pode ser atribuída a vários fatores, sendo o mais importante deles, talvez, a redução do gasto calórico nas atividades cotidianas, considerando-se as escadas rolantes, controles remotos, telefones sem fios e similares, associados a considerável diminuição da atividade física dita formal ( pratica de esportes, por exemplo ), em função da exigência do mercado de trabalho competitivo, com maior tempo dedicado à garantia da subsistência do individuo e de sua família. Já foi relatado, por exemplo, que uma simples extensão telefônica instalada em uma residência pode contribuir para o acúmulo de aproximadamente 1 kg por ano. O vidro elétrico da janela do automóvel leva seu proprietário a poupar cerca de 30 kcal diariamente. Nos Estados Unidos é o mais comum e o mais caro problema nutricional. O custo do atendimento médico diretamente atribuído à obesidade é de aproximadamente 68 bilhões de dólares por ano e um adicional de 30 bilhões ao ano gastos em programas de redução de peso e alimentos especiais. Entretanto, o tratamento direcionado para a perda de peso é amplamente ineficaz e 90 a 95 % das pessoas que perderam peso logo depois o recuperam. Ainda naquele país, sabe-se que cerca de 60% dos adultos estão acima do peso ou obesos, assim como em torno de 13% das crianças. Recentemente foi aberta uma ação contra o Mc Donald's em nome das crianças de Nova York que estavam obesas e algumas já diabéticas. Numa ação a que deram entrada no ano passado, advogados disseram que hambúrgueres, batatas fritas e outros alimentos servidos nas redes de fast-food causaram problemas de saúde, incluindo ataques cardíacos. O anuncio gerou uma campanha de mudança de política nas escolas, restaurantes e redes de fast-food, pelo alerta de que a obesidade superaria o tabaco como principal causa de mortes evitáveis. Classificação: As pessoas obesas podem ser classificadas de diversas maneiras. As classificações mais largamente usadas baseiam-se na gravidade do excesso ponderal e utilizam como critério o indice de massa corporal ou índice de Quetelet, derivado do peso dividido pela altura ao quadrado, cuja importância reside em sua associação com risco de uma ampla variedade de doenças e complicações. Assim sendo, a categoria de mais baixo risco para a saúde é a do IMC que varia entre 20 e 25 e aquela de mais alto risco a do IMC maior que 40. Índice de massa corporal: Kg/m² Baixo peso: < 18,5 Normal: 18,5 - 24,9 Sobrepeso: 25,0 - 29,9 Obesidade classe I: 30,0 - 34,9 Obesidade classe II: 35,0 - 39,9 Obesidade classe III: >= 40,0 Doenças correlacionadas: Alem da já familiar associação da obesidade com o diabetes, a hipertensão arterial, e as dislipidemias ( problemas de colesterol, triglicerideos etc... ), outros distúrbios são claramente associados a obesidade : em mulheres, o hirsutismo, pelo alto nivel de hormônios masculinos, a síndrome dos ovários policisticos, infertilidade, câncer de vesícula biliar, mama, colo de útero, endometrio e ovários, em homens diminuição do nível de testosterona total, sem feminilização , mas com grande incidência de queixa nos consultórios de ausência de libido, câncer de próstata e colon, além de outros 60 itens já listados , conhecidos como co-morbidades. Obesidade e Síndrome de Down: As pesquisas revelam que existe um maior percentual de adultos com Síndrome de Down obesos comparados aos adultos com outro tipo de retardo mental, sendo nas mulheres com SD uma incidência de 96% contra 63% nas outras alterações e nos homens, 71% contra 49% . Eles também tem mais altos nivesi de lipídeos sericos e uma maior prevalencia de diabetes , o que pode ser o resultaod do excesso de adiposidade. A natureza precisa dessa prevalência é desconhecia embora existam algumas teorias, baseadas em algumas pesquisas realizadas. Por exemplo poderia haver um adiminuição na taxa metabólica basal pela função tireoidena mesmo naqueles que não desenvolvem o hipotireoidismo clinico, a hipotonia muscular provocaria um trabalho muscular menos eficiente, com menor gasto energético, mas ainda não foi realizada nessas pessoas a avaliação do tipo de fibra muscular predominante . Outra observação importante foi uma maior incidência de obesidade nas pessoas que moravam com suas famílias do que nas pessoas institucionalizadas, provavelmente devido a maior oportunidade de ingestão de alimentos, e menor participação em atividades esportivas e nas tarefas domesticas. A boa noticia é que o ganho de peso ocorre normalmente até os 30 anos de idade, depois disso haveria um declínio. A apnéia do sono é uma alteração comum entre os obesos de um modo geral, e os portadores da SD não ficam fora dessa estastistica. 77% das pessoas testadas apresentavam essa morbidade. Isso pode ser muito incapacitante para os portadores porque resultam em excessiva sonolência diurna, dor de cabeça principalmente matutina, distúrbios do comportamento, mal aproveitamento escolar, déficit no desenvolvimento, baixa oxigenação crônica. As pessoas que se classificam como obesos e apresentam roncos com interrupção da respiração noturna devem ser avaliadas e tratadas. Dietoterapia: Apesar dos avanços recentes na compreensão das bases genéticas da obesidade, o excesso de calorias e / ou a alimentação mal balanceada continua a ser o elemento principal na origem e manutenção do sobrepeso e da obesidade. Muitas soluções mirabolantes, dietas da moda já viraram até best sellers, algumas beirando o ridículo e ainda não se conseguiu a solução do problema por esses meios e nem vai se conseguir. A mais lógica e completa abordagem para o tratamento da obesidade objetiva não somente a dietoterapia, mas principalmente modificações no estilo de vida como um todo, com ênfase na atividade física diária e no pensamento de que boas escolhas com transformações a longo prazo nos hábitos alimentares funcionam muito mais do que uma drástica e temporária redução das calorias. Objetivos do tratamento: Embora não se tenha um consenso sobre o que seria um bem sucedido tratamento para perda de peso, um bom resultado pode ser considerado se ocorre uma perda de 0,5 a 1 kg por semana, levando-se em conta que a perda inicial pode ser atingida de forma mais rápida. A partir de uma perda de peso superior a 5 a 10% ocorre uma compensação no apetite e no gasto energético fazendo com que a manutenção ou a progressão do emagrecimento se torne mais difícil. Após 6 meses de tratamento o peso pode atingir um plateau. Nesse momento a prioridade deve ser a manutenção do peso perdido através da combinação do plano alimentar saudável, pratica de atividade física e terapia comportamental, principalmente se tratar-se de obesidade de grandes proporções com muito peso para se perder. O National Institute of Health (NIH ) define a manutenção da perda de peso como bem sucedida se a recuperação de peso em 2 anos for inferior a 3 kg e a do diâmetro abdominal, inferior a 4 cm. Plano alimentar: A composição dos macronutrientes da dieta é importante, pois determina a proporção de energia a ser consumida ou guardada como depósito. Assim, aqueles nutrientes com capacidade de armazenamento baixo são oxidados quando o consumo ultrapassa a demanda. Por exemplo, o álcool não tem capacidade de armazenamento e é oxidado imediatamente, os carboidratos são auto reguladores dependendo da sua ingestão, podendo ser transformados em gordura quando ingeridos em excesso; e a gordura tem capacidade de armazenamento quase ilimitada e seu excesso na dieta é depositado com grande eficiência em até 96% Um bom cardápio deve ser distribuído da seguinte forma: 20 a 30% de gordura, 15 % de proteína e 50 a 60 % de carboidrato, com atenção ao tipo de gordura e ao tipo de carboidrato. Dessa forma deve-se evitar os açúcares simples ( doces ) , que têm um alto índice glicêmico, o que quer dizer que aumentam a Insulina, provocando cada vez mais fome; e as gorduras saturadas, presentes na manteiga, queijos amarelos e gordurosos, carnes gordas, pães preparados, chocolates etc... também devem ser abandonadas . A quantidade de calorias diárias pode ser calculada reduzindo-se em 500 a 1000 kcal/dia da ingestão calórica inicial estimada Atividade física: Além de um plano alimentar saudável, a adoção de 30 a 60 minutos de atividade física regular favorece um maior perda de peso, além do fato já demonstrado que indivíduos obesos que praticam atividade física regularmente apresentam menor mortalidade do que indivíduos de menor peso sedentários. Muitas vezes a pessoa obesa não está apta do ponto de vista cardiovascular para a pratica de exercício vigoroso ou não se sente à vontade para freqüentar uma academia rodeada de indivíduos de peso normal. A atividade física não programada no domicilio ou no trabalho pode constituir a melhor abordagem inicial em vez da introdução de um exercício programado, conforme demonstrado no planejamento abaixo: Barreira: FALTA DE TEMPO Estratégia: Caminhadas de 10 minutos nos intervalos / Reduzir em 30 minutos o tempo assistindo TV ou no computador e procurar andar pela casa nesse período / Usar as escadas no lugar do elevador / Estacionar mais distante do local de sua entrada. Barreira: TEMPO CHUVOSO Estratégia: Andar no shopping / Subir as escadas / Procurar fazer atividades em casa: varrer, arrumar, lavar. Barreira: FERIADO, FÉRIAS Estratégia: Planejar atividades com a família; andar de bicicleta, fazer caminhadas, escolhendo atividades ao ar livre, qualquer que seja Procurar estimular sua curiosidade e conhecer lugares, museus, parques. Se não puder viajar, fazer essas mesmas atividades na sua própria cidade; você vai poder conhecê-la melhor. Barreira:FADIGA Estratégia: Lembrar que a atividade física melhora a disposição / Estabelecer inicialmente metas pequenas pois é mais fácil de cumpri-las / Utilizar musicas que você goste, de preferência bem alegres, para estimular todas essas atividades. Considerações finais: A obesidade é uma doença atualmente de caráter epidêmico, de prevalência crescente em que se deve atuar de maneira séria e criteriosa. Aqui não foi abordada a terapia comportamental, , que consiste de uma série de princípios e técnicas desenvolvidas para identificar e modificar maus hábitos alimentares, nem a terapia farmacológica por entender tratar-se de matéria excessivamente técnica, e por isso com risco de ser longa e cansativa. Uma serie de relatos já mostrou que até mesmo uma modesta redução de peso pode melhorar os fatores de risco cardiovasculares e reduzir a mortalidade nesses pacientes. Os passos lentos não devem ser motivos de desanimo ou abandono de tratamento, muito pelo contrario. Devemos também estar atentos para um fato interessante ao precisarmos enfrentar esse problema: assim como nenhum vicio é um vicio logo que ele começa, a obesidade não é obesidade no seu inicio, e as pessoas moderadamente obesas ou com sobrepeso, devem se tratar com a mesma seriedade e atenção para que se interrompa a evolução desse processo. Bibliografia consultada: 1) MATOS, Amélio FG, BAHIA L. Tratamento Médico da Obesidade. In NUNES, Maria Angelicaet al. Transtornos Alimentares e Obesidade. 1ed. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda, 1998. 215 p.p 207-215 2) KAYALA KJ, WOODS SC, SCHWARTZ MW. New model for the regulation of energy balance and adiposity by the central nervous system. Am J Clin Nutr 62 9 suppl) : 1123S - 1134S, 1995 3) BRAY GA, TARTAGLIA LA. Medicinal strategies in the treatment of obesity. Nature 404: 672-7, 2000 4) ROSENBAUM M, LEIBEL RL, HIRSCH J. Obesity. N Engl J Med 337: 396-405, 1997 Artigo extraído do site. http://www.ssd.org.br/ Site da Sociedade Síndrome de Down

 
 
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