PROMOVER MEIOS QUE FACILITEM O
DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS
COM SÍNDROME DE DOWN PARA A
SUA INCLUSÃO PLENA NA SOCIEDADE
Textos e Artigos
Depoimento de Mariana Sá, 25 anos, mãe de uma criança com SD, fisioterapeuta, diretora da SER DOWN
Autoria: Mariana Sá Barreto
Data: 7/6/2006
Resuno: Depoimento de Mariana, fisioterapeuta, diretora da SER DOWN
O nascimento de Helena causou certo ?alvoroço? na família. Na verdade, este foi o único fato que me entristeceu um pouco. No entanto, sabia que era natural e compreendi a angústia de todos. Felizmente, a minha alegria e confiança diante do nascimento de minha filha foram decisivas para a mudança de atitude das pessoas que se preocupavam comigo e que se sentiam completamente inseguras em relação ao futuro daquela criança.
Certamente, o fato de eu ser profissional de saúde, fisioterapeuta, contribuiu para que eu me sentisse mais tranqüila, por ter consciência das capacidades de uma pessoa com síndrome de Down e das possibilidades que existem atualmente de desenvolvimento pleno destas pessoas.
Síndrome de Down não é doença. É uma condição genética que atribui ao indivíduo algumas características específicas e predispõe, ou não, a algumas patologias. Hoje, graças ao avanço da medicina e às pesquisas genéticas, a expectativa de vida das pessoas com Down aumentou cerca de 20 anos. E os diversos procedimentos terapêuticos nas áreas de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, musicoterapia, hipoterapia e muitas outras terapias têm facilitado a evolução das crianças com síndrome de Down a ponto de reduzir consideravelmente o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.
Aos jovens e adultos com síndrome de Down, muitos projetos pedagógicos e de incentivo ao ingresso no mercado de trabalho têm sido efetivados com a proposta de incluí-los na sociedade. A adoção de políticas públicas de inclusão social é uma promessa de que poderemos vê-los totalmente integrados e tendo oportunidade de demonstrar todo o seu potencial, que é realmente grande.
Sabendo disto, o que cabe é um sentimento de sincera gratidão e alegria por ter tido uma criança com síndrome de Down. Amo minha filha tanto quanto o meu filho, Eduardo, que não tem síndrome de Down e é um ?co-autor? do processo de aceitação, estimulação e integração de Helena na nossa família e na sociedade. Hoje, posso afirmar que o que faz a diferença é o olhar da família, desde o primeiro momento. É o amor, o carinho, a compreensão e o respeito, aprendendo que cada um tem seu tempo e que este tempo é necessário para se alcançar o seu potencial máximo, da melhor forma.
Sempre é tempo de aprender. E uma pessoa com Down tem tanto a aprender quanto a ensinar. Desejo a cada pai, mãe, parente, amigo que saiba aproveitar essa luz que todos eles têm para melhorar?se e, a partir daí, melhorar essa sociedade, preparando-a cada vez mais para receber essas pessoas com todo o respeito que elas merecem e com tudo de bom que elas têm a oferecer.
Mariana Sá Barreto Rodrigues Gomes, 25 anos
Mãe de Eduardo, 3 anos, e Helena (Síndrome de Down), 1ano e 5m
Fisioterapia Complexa Descongestiva, Drenagem Linfática Manual
DIRETORA DE ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA DA SER DOWN
mariduda@terra.com.br