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PEI - PROGRAMA DE ENRIQUECIMENTO INSTRUMENTAL (PEI)


Autoria: Texto elaborado por Lúcia Regina Schaeppi, pedagog
Data: 19/12/2006
Resuno:
O PROGRAMA DE ENRIQUECIMENTO INSTRUMENTAL (PEI)


O PROGRAMA DE ENRIQUECIMENTO INSTRUMENTAL (PEI) Texto elaborado por Lúcia Regina Schaeppi, pedagoga/psicopedagoga, Trainer Mediadora do Programa de Enriquecimento Instrumental pelo ICELP ? Israel, desde 1999. ?Podemos contradizer todo determinismo genético, porque nada no ser humano está definitivamente escrito....? (Reuven Feuerstein) Diante da sociedade globalizada em que vivemos, onde as mudanças acontecem de forma acelerada, a questão da modificabilidade cognitiva tem papel fundamental, uma vez que acreditamos que todo indivíduo é capaz de aprender a aprender, ou seja, estar em permanente estado de aprendizagem, sendo capaz de transferir para quaisquer contextos aquilo que foi aprendido. Ressalte-se que a ênfase está na metacognição, pois uma vez que o indivíduo sabe como se aprende, é possível transferir o processo, logo, passa a ter mais estratégias para enfrentar os diferentes problemas que uma sociedade em constante mudança pode lhe apresentar. O que se tem observado, no entanto, é que os estudantes estão nas escolas com sérias dificuldades de aprendizagem, em conseqüência de uma educação com ênfase nos conteúdos, onde o professor trabalha com aulas expositivas, sem mediação e desafios, sendo, talvez, essa uma das causas do grande número de alunos evadidos ou retidos nas séries. A investigação psicopedagógica, diante da evasão escolar e repetência nas escolas, tem-se orientado para o desenvolvimento de programas que desenvolvam processos de raciocínio e que pretendem melhorar as competências cognitivas e habilidades dos indivíduos, com reflexo e transferência na aprendizagem de modo geral. Dentre esses programas, o Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) tem como objetivo aumentar o nível de modificabilidade e a capacidade de aprendizagem do sujeito, otimizando o seu funcionamento cognitivo e proporcionando-lhe um método de aprendizagem em que ele aprenda a aprender. O Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) foi criado pelo psicólogo israelita Reuven Feuerstein. Feuerstein nasceu na Romênia em 1921. Em Bucareste, estudou Psicologia Geral e Clínica e Pedagogia. Em 1970, completou seus estudos com o doutorado (PhD) em Psicologia do Desenvolvimento, na Universidade de Sorbonne - Paris. Foi aluno direto de Piaget. As idéias deste foram investigadas por Feuerstein com a população de crianças judias emigrantes do Norte africano para Israel, após a II Guerra Mundial. Para Feuerstein o desenvolvimento cognitivo da criança não é somente resultado do processo de amadurecimento do seu organismo, nem de seu processo de interação independente com o mundo dos objetos, mas é o resultado combinado da exposição direta ao mundo e da experiência de aprendizagem mediada, pela qual a cultura se transmite. O mediador humano se interpõe entre o estímulo e o organismo e entre o organismo e a resposta quando filtra, seleciona, transforma e organiza estes estímulos, criando condições para que o mediado experimente níveis mais elevados de interação. A aprendizagem passa, então, de um produto fortuito, casual, para uma ação intencional, voltada para um objetivo claramente definido. Segundo Feuerstein, os seres humanos são vistos como indivíduos que têm a propensão única para modificar-se ou para serem modificados nas estruturas de seu funcionamento cognitivo, à medida que eles respondem às demandas nas transformações de situações de vida. O PEI é um aplicativo da Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural (TMCE), foco central de seu trabalho, onde é postulado que a modificabilidade pode ser conseguida apesar dos obstáculos severos no indivíduo ou em suas condições de vida. Feuerstein insiste em dizer que a não ser nas lesões genéticas e orgânicas mais graves, o organismo humano está aberto a modificabilidade em todas as idades e estágios de desenvolvimento. Todos têm direito a modificabilidade cognitiva, desde os indivíduos portadores de deficiência mental, crianças com lesões cerebrais, filhos de agricultores e dos operários, etc. Todos, sem exceção devem ser promovidos cognitivamente e não apenas as crianças com QI ?normal?, as superdotadas ou procedentes de extratos sociais favorecidos. A TMCE não aceita as explicações nem os determinismos da genética e da hereditariedade. Independente das limitações endógenas ou exógenas, o indivíduo com baixo rendimento pode beneficiar-se não só de conforto e apoio afetivo, como também de programas adequados a modificabilidade e à ampliação do seu potencial de aprendizagem, como demonstram os trabalhos de Feuerstein com crianças e adolescentes com Síndrome de Down. Outro elemento do sistema aplicativo da Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural (TMCE), o LPAD (Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem), foi elaborado para avaliar o grau de modificabilidade do indivíduo diante de uma situação de aprendizagem, ou seja a capacidade que o sujeito tem de se modificar por meio de um processo mediado de aprendizagem. O LPAD é composto por uma bateria de testes específicos, onde são identificadas capacidades para aprender e determinar em que condições e modalidades o potencial de aprendizagem pode ser acessado pela aprendizagem mediada. A partir da realização do LPAD é que se faz a aplicação dos instrumentos do PEI. Desta maneira o LPAD e o PEI são programas complementares, isto é, avaliação e intervenção são combinadas com objetivo de se realizar uma intervenção psicopedagógica integrada e eficaz. Toda obra de Feuerstein está baseada numa crença principal: Todo ser humano é modificável. Ele acredita no desenvolvimento da inteligência e no trabalho dos mediadores para atingir a modificabilidade cognitiva, que define como uma mudança estrutural no repertório do indivíduo, que adota pré-requisitos cognitivos inexistentes até então. A crença é fator energético para compreensão da teoria e para a intervenção, através da Experiência de Aprendizagem Mediada (EAM). O Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) é composto por 14 instrumentos. Cada um deles trabalha com foco numa operação mental, possibilitando a correção de funções cognitivas (componentes básicos do ato mental). Neles são apresentados exercícios que avançam em níveis de complexidade e abstração cada vez mais crescente, ampliando o interesse e a motivação intrínseca dos indivíduos. Os instrumentos do Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) Standard são: Organização de Pontos, Orientação Espacial I, Comparações, Classificações, Percepção Analítica, Orientação Espacial II, Ilustrações, Progressões Numéricas, Relações Familiares, Instruções, Relações Temporais, Relações Transitivas, Silogismos e Desenho de Padrões. Também, recentemente, foi criado pelo professor Reuven Feuerstein um novo programa destinado a crianças não alfabetizadas, o PEI Básico. Este novo programa favorece a emergência e não a correção de funções cognitivas na etapa inicial da vida, enriquecendo as ferramentas verbais, os conceitos espaciais e temporais e as atividades cognitivas que propiciam a representação das relações, formando estruturas necessárias à alfabetização. O PEI Básico trabalha também o potencial de desenvolvimento de analogias, da expressão do pensamento divergente e a discriminação auditiva e tátil, promovendo o pensamento reflexivo, a motivação intrínseca, os sentimentos e a propensão da criança para gerar informações e não apenas reproduzi-las. Os instrumentos do PEI Básico são: Organização de Pontos, Identificando as Emoções, Comparando e Descobrindo o Absurdo, Orientação no Espaço, Da Unidade ao Grupo, Da Empatia à Ação e TCAL ? Três canais de Atenção. As tendências da vida atual, num mundo cada vez mais mutável, o avanço da utilização das novas tecnologias não atravessa só a economia global e os meios de informação; eles estão se projetando na educação. Nessa perspectiva, aprender novas formas de raciocínio, desenvolver competências de comunicação, desenvolver funções cognitivas, proposto pela Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural (TMCE) e Teoria da Experiência da Aprendizagem Mediada (EAM), servirão de alicerce para o ser humano aprender a aprender, adaptando-se ao mundo onde vive. Texto elaborado por Lúcia Regina Schaeppi, pedagoga/psicopedagoga, Trainer Mediadora do Programa de Enriquecimento Instrumental pelo ICELP ? Israel, desde 1999. REFERÊNCIAS BEYER, Hugo. O Fazer Psicopedagógico: a abordagem de Reuven Feuerstein a partir de Piaget e Vygotsky. Porto Alegre: Editora Mediação, 1996. _______. Inclusão e Avaliação na Escola (de alunos com necessidades educacionais especiais). Porto Alegre: Editora Mediação, 2006. DA ROS, Sílvia Zanatta. Pedagogia e Mediação em Reuven Feuerstein: o processo de mudança em adultos com história de deficiência. São Paulo: Plexus Editora, 2002. FEUERSTEIN, Reuven. "La teoria de Ia modificabilidad estructural cognitiva". Zaragoza: Mira Editores, 1995. FONSECA, Vítor da. Aprender a Aprender: a educabilidade cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 1998. GOMES, Cristiano Mauro Assis. Feuerstein e a Construção Mediada do Conhecimento. Porto Alegre: , Artmed, 2002. SÁNCHEZ, Maria Dolores Prieto. Modificabilidad Cognitiva y P.E.I.. Madrid: Editorial Bruño, 1991. SKUY, Mervin. et al. Aprendizagem Mediada Dentro e Fora da Sala de Aula. São Paulo: Editora Senac, 1997.

 
 
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