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A PELE DA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN


Autoria: Meire Gomes
Data: 14/5/2007
Resuno:
Pediatra Geral formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria.


É relatada uma deficiência de imunidade celular e da resposta da IgG nas crianças com SD. Essa alteração imunológica provavelmente está ligada à susceptibilidade que os meninos e meninas Down apresentam às ectoparasitoses e às infecções de pele, sejam elas bacterianas, fúngicas ou virais. As crianças com SD mais freqüentemente desenvolvem sarna norueguesa (sarna crostosa), semelhante ao que ocorre em portadores das mais diversas imunodeficiências. As crianças Down com Dermatite Atópica (DA) requerem cuidados dermatológicos. A DA comumente está relacionada a uma maior predisposição à dermatoses outras, tais como queilite angular, foliculite, piodermites. É razoável esperar que a pessoa com SD e DA apresente também uma freqüência aumentada de problemas dermatológicos. Devemos estar atentos a estes fatos, considerando que as infecções de pele podem abrir porta para infecções invasivas, como pneumonia , endocardite bacteriana e meningite.A pele é o maior órgão do corpo humano e constitui uma importante barreira contra infecções -- cuidar bem da pele, portanto, significa prevenir muitas doenças. Nesse artigo, vamos discutir os principais pontos da dermatologia da Síndrome de Down e apresentar os cuidados básicos com a pele. 1. Achados dermatológicos não necessariamente associados a doenças: 1.1 - Pele A "cutis marmorata", mais conhecida como "pele mosqueada", confere à pele da criança um aspecto de um rendilhado violáceo, como se a pele recebesse um desenho. Ocorre por uma disfunção dos vasos sangüíneos (instabilidade vascular) e pode estar presente mesmo que a criança esteja muito bem de saúde. Em vigência de alterações cardiológicas e febre, por exemplo, o efeito pode ser mais intenso. A "cutis marmorata" é mais comum nas pessoas com SD que na população geral, acometendo cerca de 12% das crianças. A xerose acomete até 70% das crianças, com aumento da área cutânea acometida na adolescência e idade adulta. A deficiência de vitamina A e o hipotireoidismo podem contribuir para que a pele se torne mais ressecada. A ocorrência de hipercarotenemia - deposição na pele do betacaroteno contido nos horti-frutigranjeiros de cor amarelada - parece ser mais freqüente na criança com SD que na população geral, porém alguns autores afirmam que não há diferença estatisticamente significativa. Bioquimicamente, o portador de SD pode não metabolizar bem o excesso do betacaroteno e para essas crianças, a hipercarotenemia pode ser mais freqüente. De qualquer forma, uma dieta equilibrada reduz essa possibilidade. Caso encontremos o tom amarelado em região palmo-plantar que caracteriza a hipercarotenemia, devemos suspender temporariamente o consumo de mamão, abóbora e cenoura. Alguns autores relatam incidência aumentada em pacientes portadores de Hipotireoidismo. A pele do portador de SD tende a envelhecer mais precocemente e podemos encontrar em adultos jovens lentigos, hipopigmentações, hiperpigmentações e áreas de atrofia cutânea. 1.2 - Boca e Língua A língua geográfica ocorre em cerca de 10% das crianças com SD e a língua fissurada (anteriormente denominada língua escrotal) ocorre em cerca de 80% dos portadores de SD; a causa específica dessas duas entidades ainda é desconhecida. Queilite angular e fissuras nos lábios também são achados mais freqüentes em portadores de SD que na população geral que, juntamente com a língua fissurada, são mais freqüentes com o passar dos anos. 1.3 - Cabelos Os cabelos, habitualmente finos e macios, podem apresentar hipopigmentação e fragilidade. 2. Achados patológicos Como mencionado anteriormente, 70% dos portadores de SD apresentam xerose que tende a se intensificar com o passar dos anos. Metade das crianças apresenta dermatite atópica e cerca de 1/3 delas apresenta dermatite seborréica. 2.1 - Dermatite Atópica (DA) A dermatite atópica é mais comum nas crianças com antecedentes familiares de alergia; tende a aparecer nos primeiros meses de vida e em alguns casos melhora na adolescência. É caracterizada por dois tipos básicos de lesões: as avermelhadas com bordos ressecados que lembram as micoses e as esbranquiçadas, não raro confundidas com "pano branco" ou inadvertidamente relacionadas a "manchas de giardia", crença bastante difundida no nordeste brasileiro. Além das manchas, o ressecamento cutâneo e o baixo limiar para o prurido caracterizam a DA. Cerca de 30% das crianças abaixo de 10 anos e até 80% dos adultos apresentam áreas de ressecamento intenso na pele (liquenificação), principalmente atrás das orelhas e nas dobras do cotovelo e joelhos. A Hiperceratose palmo-plantar geralmente aparece após os 5 meses de vida e pode acometer até 75% das crianças acima de 5 anos, mesmo sem deficiência de vitamina A. A investigação laboratorial geralmente é desnecessária. Alguns pacientes apresenta IgE sérica elevada para a idade, aumento da fração 4 da IgG, falso positividade em testes cutâneos de leitura imediata e diminuição do CD8 (supressor). 2.2 - Dermatite Seborréica A Dermatite seborréica é uma doença crônica, de fácil diagnóstico mas de difícil controle, e é caracterizada por descamação, prurido e hiperemia em áreas com maior concentração de glândulas sebáceas. Cerca de 3% da população geral apresenta formas mais rebeldes de dermatite seborréica, porém formas leves ("caspa") são mais freqüentes. Cerca de 1/3 das crianças portadoras de SD apresentam dermatite seborréica de moderada a severa. A dermatite caracteristicamente evoluiu com períodos de melhora intercalados por "crises", que são mais observadas quando o paciente passa por stress emocional e/ou físico ou se submete a dieta hipercalórica. A dermatite seborréica é mais rebelde em pacientes portadores de SIDA, sugerindo que a deficiência imunitária tenha um importante papel no seu prognóstico. A Dermatite Seborréica é multifatorial, estando envolvidos a predisposição individual (hereditariedade), a oleosidade da pele e a participação do fungo Pityrosporum ovale , sendo os dois últimos fatores as chaves do tratamento ou controle do problema. Quando ela se instala no couro cabeludo, pode produzir descamação fina ou formação de crostas e no geral produz muito prurido; em outras áreas, como orelhas, face, pescoço e tronco, produz mais hiperemia e o prurido é menos intenso. Em crianças observamos com alguma freqüência blefarite seborréica isolada, que tende a desaparecer com o tempo. 2.3 - Alopécia Areata 6 a 8% das crianças podem apresentar alopécia areata, caracterizada por queda total do cabelo em uma área circunscrita do couro cabeludo. A alopécia requer tratamento específico com o dermatologista e tende a ser mais severa e persistente nos portadores de SD que na população geral. 2.4 - Infecções Fúngicas As infecções fúngicas mais encontradas são a dermatite de fraldas (comumente associada à Candida albicans ) e a Tinea pedis. As onicomicoses são mais freqüentes em adultos. 2.5 - Vitiligo O Vitiligo causa despigmentação de áreas da pele, sobretudo no dorso de mãos e pés, região genital e face. Parece ter origem auto-imune, dada sua relação com diabetes e distúrbios tireoidianos, e há evidências de que seja desencadeado ou agravado por causas emocionais. O vitiligo aparece em 1-2% da população geral e é mais freqüentes em indivíduos com SD. A evolução do Vitiligo é imprevisível, podendo tanto permanecer estável por anos como avançar rapidamente, bem como ter regressão espontânea. 2.6 - Escabiose Ectoparasitose causada pelo Sarcoptes scabiei , transmissível de pessoa a pessoa. Causa intenso prurido e lesões cutâneas. É potencialmente mais agressiva em crianças portadoras de SD e tende a persistir e recorrer caso não bem acompanhada. 2.6 - Outras Calcinose Cutânea associada a Siringomas 3. Cuidados Gerais com a Pele 3.1 - O banho Devemos evitar banhos longos e com água muito quente ou muito fria. O ideal é usar água tépida, preferindo dar apenas um banho por dia. 3.2 - O sabonete O sabonete deve ser suave, com ph neutro e usado no máximo 01 vez ao dia 3.3 - Hidratante Depois do último banho, uma massagem no corpinho todo com hidratante ajuda a relaxar, estimula o vínculo mão-pai-filho e ainda ajuda a proteger a pele 3.4 - A troca de fraldas Evitar uso de lenços umedecidos, preferindo usar bastante água com algodão, passando a seguir um creme protetor a base de óxido de zinco (a maioria dos cremes protetores contem). Quando a criança evacuar, usar um pouco de sabonete líquido na higiene, secar bem e passar a pomada protetora ao redor do ânus. Assim, a pele fica mais resistente à proliferação dos fungos que são eliminados com as fezes 3.5 - Roupinhas Evitar tecidos sintéticos e roupas em demasia, adequando o vestuário à estação. 3.6 - Filtro Solar A partir dos 6 meses de vida, todas as crianças devem fazer uso regular de protetor solar. 3.7 - Ambiente O ar-condicionado pode ressecar a pele. Reforçar a hidratação da pele e aumentar a umidade do quarto usando toalhas molhadas ou balde com água 4. Cuidados Específicos 4.1 Dermatite Atópica A criança deve receber cremes com atividade anti-inflamatória (corticóide ou não). Como dito acima, a investigação laboratorial nem sempre é necessária, mas conforme a história e evolução - tais como associação com asma ou sintomas digestivos - alguns exames são requeridos. Os testes de pele abrem margem a restrições dietéticas muitas vezes desnecessárias e precisam ser avaliados criteriosamente. 4.2 Dermatite Seborréica Shampoos com atividade antifúngica nos casos de dermatite do couro cabeludo. Lembrar que o uso do Enxofre é contra-indicado nos pacientes com SD, e é um componente encontrado freqüentemente em sabonetes ceratolíticos. Na dermatite seborréica leve dos pavilhões auriculares, indicamos com freqüencia a vaselina salicilada a 1% (manipulada), pois tem ação antiinflamatória e ceratolítica, é barata e não tem ação glicocorticóide. 4.3 Dermatite de Fraldas Associamos cuidados gerais como compressas de chá de camomila, uso de maizena na troca de fraldas e cuidados específicos, com cremes contendo antifúngicos. Em alguns casos, um antifúngico sistêmico pode ser necessário, como o Fluconazol, já disponível em apresentação pediátrica. 4.4 - Escabiose Uso de escabicida em loção, de preferência a Permetrina, uso tópico em dose única, poupando face e região genital. Não prescrever sabonetes escabicidas, pois causam irritações na pele com freqüência, piorando o quadro. Outras medicações tópicas podem ser associadas, caso necessário. Evitar o uso de antihistamínicos em bebês, pelos riscos da droga nos pacientes portadores de SD. Lembrar que as pastas sulfuradas, usualmente prescritas para bebês, são desaconselhadas para pessoas com SD de qualquer faixa etária.

 
 
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