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[19/04/2006] Entrevista: Campanha da Fraternidade 2006

Entrevista: Campanha da Fraternidade 2006

Fonte: CNBB


Entrevista: Campanha da Fraternidade 2006 O secretário-geral da CNBB, concedeu entrevista sobre a Campanha da Fraternidade 2006. Nela, Dom Odilo P. Scherer - fala do tema, das pessoas com deficiência no Brasil. dos objetivos da Campanha, dos subsídios, da participação e do que a Igreja espera desta iniciativa, neste ano. IMPRENSA - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) celebra a Campanha da Fraternidade (CF) pela 42a. vez em 2006. Qual é o tema CF deste ano? DOM ODILO P. SCHERER - O tema é ?Fraternidade e Pessoas com Deficiência? e o lema: ?Levanta-te, vem para o meio!? (Mc 3,3). Desta vez, a CF pretende trazer as pessoas com deficiência para o centro de nossa atenção. IMPRENSA - Há várias denominações para referir-se a essas pessoas. Como chamá-las: Pessoas com deficiência, portadores de deficiência ou simplesmente deficientes? DOM ODILO P. SCHERER - A lista de nomes usados ao longo da história é grande. Muitas vezes as expressões denotavam preconceito contra essas pessoas, desprezo e mesmo exclusão. Hoje as diversas organizações das pessoas com deficiência preferem essa denominação: Pessoa com deficiência; pode-se explicitar a deficiência: Pessoa com deficiência visual, mental, motora... Nesta maneira de denominar, valoriza-se mais a pessoa, que não deve ser reduzida à sua deficiência. E também não se quer esconder o fato da deficiência, pois a pessoa não pode ser acolhida e tratada com justiça, sem levar a sério a sua condição. IMPRENSA - A CF trata de algum grupo específico de pessoas com deficiência, ou refere-se ao mesmo tempo a todas elas? DOM ODILO P. SCHERER - Na Campanha estão contempladas todas as pessoas que têm algum tipo de deficiência física, sensorial ou mental. Calcula-se que no mundo inteiro haja mais de 500 milhões de pessoas com alguma deficiência. Segundo a Organização Mundial da Saúde, nos países em via de desenvolvimento, cerca de 50% dessas pessoas são afetadas por algum tipo de deficiência mental. Na América Latina, segundo dados do Banco Mundial, cerca de 10% das pessoas são afetadas por alguma deficiência. IMPRENSA - Os números são impressionantes. E como está a situação no Brasil? DOM ODILO P. SCHERER - O censo demográfico de 2000 registrou cerca de 27 milhões de pessoas com deficiência, o que corresponde a 14,4% da população. Nas regiões do Nordeste passam de 18%! Em São Paulo, com a menor incidência do País, são 11,4%. IMPRENSA - De fato, as pessoas com deficiência constituem um vasto segmento da população brasileira. Existem dados sobre as condições delas e sobre a sua inclusão social? DOM ODILO P. SCHERER - Há muitos dados já levantados, mas a Campanha da Fraternidade pode ser uma boa ocasião para tornar melhor conhecida a situação em que vivem muitos desses nossos irmãos. A legislação brasileira, no que se refere às pessoas com deficiência, avançou muito nos últimos anos, graças também à atuação de grupos organizados de pessoas com deficiência, ou de organizações da sociedade que lutam em favor de uma maior inclusão social dessas pessoas. Há algum tempo foi introduzido um projeto de Estatuto da Pessoa com Deficiência no Congresso Nacional, mas custa a ser aprovado. Na verdade, não bastam leis, mas é preciso desenvolver uma cultura do respeito e da solidariedade efetiva em relação às pessoas com deficiência e em favor de sua progressiva inclusão no convívio social, passando pela educação, o mundo do trabalho e da cultura, da saúde e do lazeDom Odilo P. Scherer - IMPRENSA - Todos os anos, a CF tem objetivos bem precisos. Quais são os objetivos da CF de 2006? DOM ODILO P. SCHERER - O objetivo geral desta CF é voltar a atenção para as pessoas com deficiência, tomar consciência de sua existência, das condições em que vivem, de suas necessidades e, à luz da Palavra de Deus, suscitar maior fraternidade e solidariedade em relação a elas, promovendo sua dignidade e seus direitos. Naturalmente, isso significa também dar voz às pessoas com deficiência, denunciar preconceitos e discriminações, promover iniciativas que façam avançar políticas públicas voltadas para a efetiva inclusão das pessoas com deficiência em todos os âmbitos da convivência social. A meta final de todas essas iniciativas é a promoção da cultura do respeito e da solidariedade em relação a esses irmãos e irmãs. IMPRENSA - E aí tocamos o nó da questão. Muitas vezes, a pessoa é valorizada por aquilo que ela tem, pela sua aparência ou pela sua capacidade de competição com os outros... DOM ODILO P. SCHERER - De fato, a CF de 2006 parte do pressuposto que todas as pessoas têm a mesma dignidade e, por isso, ninguém deve ser desprezado ou discriminado. O valor do ser humano e o motivo último do respeito que lhe é devido não estão na perfeição física, na capacidade produtiva ou na habilidade da sua afirmação social, econômica, cultural ou política mas, antes e acima de tudo, no próprio fato de ser uma pessoa, um ser humano. A presença de pessoas com deficiência em nosso meio é um permanente questionamento à lógica da competição, da eficiência, da perfeição estética a todo custo, do sucesso, do poder econômico. Esta lógica das vaidades, que orienta com freqüência o convívio social, acaba privilegiando sempre os mais fortes e desprezando quem não satisfaz a certos padrões e expectativas. IMPRENSA - A CF tem conseguido envolver não apenas a Igreja, mas também a sociedade. Será assim também neste ano? DOM ODILO P. SCHERER - Espero que sim e o tema já está despertando muito interesse. A maioria das famílias tem algum caso de deficiência entre seus membros. O desejo é que a proposta da CF possa entrar logo nas escolas, colégios e universidades, nos Meios de Comunicação, nos ambientes da administração pública e da política. É muito importante que as comunidades eclesiais se façam promotoras de reflexão e discussão das questões levantadas pela CF. Temos a esperança de que, encerrada a CF propriamente dita, o tema continue, por muito tempo, a repercutir e produzir frutos na sociedade. IMPRENSA - O lema é sugestivo: ?Levanta-te, vem para o meio?. DOM ODILO P. SCHERER - É a palavra de Jesus dita a um homem com uma deficiência na mão (cf Mc, 3,3); tudo leva a pensar que aquele homem era desprezado e deixado sozinho com seu problema. Talvez até já tivesse aceito, sem mais reclamar, que valia pouco, que não era mesmo ninguém e só podia depender da boa vontade e da comiseração dos outros. Jesus o vê com outro olhar, chama-o para o meio de todos. Aí é seu lugar, no meio dos outros. O gesto e a atitude de Jesus traduzem a acolhida respeitosa e encorajadora daquela pessoa; ao mesmo tempo que denuncia e supera a exclusão daquele homem, Jesus restitui-lhe a dignidade. A CF de 2006 é uma proposta de inclusão efetiva para todas as pessoas com deficiência. IMPRENSA - Como podem as pessoas participar da CF? DOM ODILO P. SCHERER - De muitas maneiras. As paróquias, em geral, têm muitas propostas de participação na CF. Por outro lado, é importante interessar-se, buscar informação, promover reflexões em vários níveis sobre o assunto em questão, participar de debates, apoiar e promover iniciativas que levem a definir e decidir políticas públicas voltadas para a inclusão social das pessoas com deficiência. Por outro lado, essas pessoas não são apenas números e cifras abstratas, são seres humanos concretos que esperam por uma visita, bem como suas famílias e as organizações que prestam assistência aos vários tipos de pessoas com deficiência. Há muitos modos de participar e se envolveDom Odilo P. Scherer - Finalmente, a CF sempre inclui um gesto concreto de fraternidade, que se expressa na coleta da solidariedade no Domingo de Ramos. A fraternidade requer gestos concretos. IMPRENSA - A CNBB preparou subsídios próprios para divulgar e promover a proposta da CF? Onde podem ser encontrados? DOM ODILO P. SCHERER - Como todos os anos a CF tem um belo cartaz e o Texto-Base, que são os dois principais instrumentos de divulgação da CF. O Texto Base traz a proposta da CF e é muito rico de informações. Mas também tem um hino, vários textos para trabalhar o tema com diversos grupos, desde crianças na escola e na catequese, textos para jovens, para grupos de reflexão e agentes de pastoral. Há também material com imagens, DVDs e spots para rádio e TV. Os materiais de apoio à CF podem ser encontrados nas livrarias católicas e nas paróquias. IMPRENSA - O que a CNBB espera dessa CF? DOM ODILO P. SCHERER - Antes de tudo, espera que a CF desperte um grande interesse nas comunidades católicas e em toda a sociedade; que ela gere discussão, gestos de apoio concreto às pessoas com deficiência e sensibilize a sociedade para o desenvolvimento sempre maior da cultura da fraternidade e da solidariedade para com todos, especialmente os membros mais frágeis e indefesos da família humana. A CNBB espera que, depois da CF 2006, as pessoas com deficiência possam sentir-se um pouco melhor no convívio social e eclesial.

 
 
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