A SER DOWN                NOSSOS
                  TRABALHOS
                    PERGUNTAS
                    FREQUENTES
       Legislação  
     Textos e Artigos
     Cadastre seu Filho
     Nossos Colaboradores
     Notícias e Dicas
     Boletim Informativo
     Links Interessantes
     Contato
PROMOVER MEIOS QUE FACILITEM O DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN PARA A SUA INCLUSÃO PLENA NA SOCIEDADE
Notícias e Dicas
 


[14/08/2006] Filme Do luto à Luta

Do luto à Luta

Fonte: Revista PETROBRAS ano 12 nº 111 - Janeiro/fevereir


O documentário "DO LUTO À LUTA", do jornalista e cineasta Evaldo Mocarzel, será lançado nos cinemas no dia 06 de outubro de 2006. Evaldo Mocarzel é o pai de Joana, 7 anos - participando da novela da Globo, Páginas da Vida, de Manoel Carlos, como Clara, criança com síndrome de Down que será adotada pela personagem Helena (Regina Duarte). Uma nova abordagem da Síndrome de Down, que atinge cerca de oito mil bebês por ano no Brasil, é exposta no premiado documentário "DO LUTO À LUTA", do diretor Evaldo Mocarzel. O filme que tem 2 patrocínios da Petrobras - o de produção e o de difusão -, vai ao encontro de uma das diretrizes da empresa, que é a política de inclusão de pessoas com necessidades especiais. EVALDO MOCARZEL, 45 anos, nascido em Niterói, no Rio de Janeiro, é o pai de uma menina com Down, o que o leva a afirmar que não foi ele quem escolheu o tema, foi o tema que o escolheu. Formado em Cinema e Jornalismo, o diretor - que trabalhou no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo - não esperava que o filme tivesse tanta repercussão, conquistando oito prêmios somente no Festival do Recife (PE), entre os quais:Melhor Filme, Melhor Longa Documentário, Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Montagem. Em apenas três anos, Evaldo se firmou como um dos mais ativos e premiados documentaristas do país. Com "A margem da imagem", ele ganhou o Kikito de Ouro no Festival de Gramado de 2003. Mocarzel também dirigiu "Mensageiras de Luz - parteiras da Amazônia", lançado em 2004. "Do luto à Luta" venceu o Festival de Recife concorrendo com obras de ficção. 1. POR QUE DECIDIU FAZER UM FILME ABORDANDO A SÍNDROME DE DOWN ?? R. O filme foi fruto da minha relação com a minha filha. Fiz o filme que gostaria de ter assistido quando ela nasceu. O instante em que me contaram que minha filha tinha a Síndrome de Down foi terrível. Foi um baque. No entanto, tudo isso é fruto da falta de informação. O filme ataca a rejeição que cerca esse tema. Em "Do luto à Luta" procurei passar informações humanizadas. Eu também passei por um processo de rejeição. Foi com conhecimento da causa, com autoridade de pai, que consegui, de maneira bem simples, passar a mensagem de que a grande vilã do nosso sofrimento é a falta de informação. 2. COMO FOI FAZER O FILME SOBRE UM TEMA TÃO DELICADO ? R. A sociedade, em geral, cultua formas perfeitas, pessoas perfeitas, e isso é gerado pela falta de informação. Fiz pesquisa, contei com os próprios downs atuando, com apoio do Programa de Assistência e Tratamento às Pessoas Especiais (PATE), da Petrobras, e também com o apoio da minha mulher, Letícia Santos. Fiz um filme para ajudar os pais a vencer a rejeição, o susto, o preconceito. 3. COMO ESTAS PESSOAS ATUAM NO FILME ? R. Elas fazem tudo o que uma pessoa normal faz: trabalham, surfam, namoram, dançam, estudam, dirigem um filme de ficção. Em um dado momento, elas tomam as rédeas do filme e assumem sua direção, brincando, a sério, com o conceito de inclusão dentro do próprio filme. A Síndrome de Down é, sem dúvida, um problema, mas as soluções são bem mais simples do que se imagina, principalmente quando deixamos de lado os preconceitos e estigmas sociais. 4. VOCÊ ACREDITA QUE O FILME CONTRIBUI PARA QUE AS PESSOAS TENHAM UMA NOVA POSTURA DIANTE DO PROBLEMA ? R. Acredito. A pessoa sai do filme completamente mudada. Ela passa a enxergar o problema de uma maneira mais natural. "Do luto à Luta"é um documentário que relata um trauma inicial, passando depois para uma atitude positiva de encarar a deficiência de forma franca e aberta. Há personagens que tem uma vida normal, com estudo, trabalho, lazer e sonhos. Há o menino que quer ser surfista: um jovem casal às vésperas do casamento; um bibliotecário apaixonado por livros e leitura. O filme comprova uma nova postura diante do problema, que há poucos anos provocava um isolamento tanto dos atingidos pela síndrome quanto de seus pais. 5. COMO É CONVIVER COM A DIFERENÇA ? R. Eu acho que 2006 será o ano da inclusão social. As pessoas estão mais bem informadas e a discriminação diminuiu. A mídia tem ajudado muito. As novelas, por exemplo, estão abordando, frequentemente, temas que enfrentavam preconceitos. As empresas estão criando e já perceberam que deficiência não é sinônimo de incompetência. Eu mesmo percebi isso.Quanto mais minha filha crescia e se desenvolvia, mais me levava a crer que se tratava de uma pessoa com qualidades e defeitos, como qualquer outra criança. Percebi que não havia mistérios, que as diferenças existem em toda relação, em todas as pessoas. Eu me surpreendi como pai. Não imaginava que elas conseguissem evoluir tanto. 6. COMO FOI A PRODUÇÃO DO FILME ? R. "Do luto à Luta" começou como um curta, mas aos poucos foi crescendo, pois o tema merecia atenção especial. O documentário contou com a participação de cerca de 12 pessoas envolvidas na produção. Distribuímos gratuitamente cinco mil cópias para pedagogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, escolas, empresas etc. Todos tem que saber que, quando olhado de perto, ninguém é normal. Quis fazer um filme diferente, mas não imaginava que haveria tanta repercussão. Quis levá-lo também para as pessoas que não tinham relação com a síndrome, a partir de um novo olhar sobre a questão. 7. O SEU OBJETIVO FOI ALCANÇADO ? R. Acredito que sim. Trata-se de um filme de utilidade pública, para que as pessoas não recebam o impacto tão grande que eu tive no momento do nascimento. Os downs transcendem todas as nossas expectativas. Uma criança com Síndrome de Down é como outra qualquer, com todas as possibilidades das demais. Ela questiona vários aspectos da vida, como Deus, o amor, a morte e até mesmo o preconceito que é alvo. Os downs são mais lentos no raciocínio, mas ultrapassam muitas barreiras que são comuns a nós. Quis, com o filme, abranger a inclusão. Acredito que consegui passar a mensagem. Os portadores da Síndrome de Down entrevistados no filme têm consciência de sua "doença" e do preconceito que a cerca. Mas a auto-imagem de cada um e a forma como sente o preconceito do qual é vítima são surpreendentes.TEMOS QUE APRENDER MUITO COM ELES.

 
 
Contato   Associação Baiana de Sindrome de Down © todos os direitos reservados