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[24/10/2006] MINHA VIDA ESCOLAR - Entrevista com Debora Seabra

Inclusão- Revista da Educação Especial ? out/2005

Fonte:


MINHA VIDA ESCOLAR Débora Araújo Seabra de Moura Professora da Associação Síndrome de Down do Rio Grande do Norte 1. Na infância Sempre estudei em escola regular. Quando fui para a primeira escola eu tinha 2 anos e meio e não me lembro de nada. Passei somente seis meses porque nasceu uma escola que meus pais se encantaram: a Casa Escola! Eu, Marcelo e Olívia, que também têm Síndrome de Down, estudamos na Casa Escola por muitos anos. Aprendemos muitas coisas e fizemos amizades. Estudar na Casa Escola foi ótimo. Foi bom Ter amigos como os colegas de lá porque entenderam a inclusão na escola e na vida. Porque as professoras sabiam isso porque não eram preconceituosas. E ensinaram ás crianças. E eles aceitaram nós três para fazermos o jardim em alfabetização e até a Quarta série. Foi muito bom para mim aprender mais coisas com os colegas e com as professoras. A gente discutia tudo. Até a síndrome de Down. Algumas professoras são muito queridas e continuam sendo até hoje . e alguns colegas também. São meus amigos de infância. Foi importante para mim conhecer essas pessoas. Até hoje, ás vezes nos encontramos para sair para vários cantos. 2.Na adolescência Quando nós saímos da Casa Escola a nossa Associação Síndrome de Down fez um trabalho de conscientização no Colégio Imaculada Conceição ? CIC, que é um colégio de freiras onde já estudavam pessoas com outras deficiência se foi muito, muito legal. Nós da Casa Escola fizemos palestras para os meninos que iam ser nossos colegas. Cláudia Werneck lançou livros lá: ?Meu Amigo Down em Casa, na Rua e na Escola? Nossos professores da Casa Escola fizeram palestras para os professores do CIC e no outro ano fomos para lá pois queríamos ir para a 5ª série. Mas primeiro repetimos a 4ª série. Era uma escola muito maior. Nós ficamos cinco anos, até a 8ª série e fizemos muitas amizades. Eu até tinha uns dois paqueras, gatinhos da escola. Meus 15 anos foi nesse tempo me lembro muito. Não me esqueço mais. Nós fizemos inclusão. Muita coisa aconteceu. Lá no CIC também fiz estágio na pré-escola com as crianças e uma professora, eu como auxiliar da professora. As crianças gostavam de mim foram legais comigo. Até me chamavam de professora Débora e eu adorei isso das palavras de cada um deles e me emocionei várias vezes. 3.Buscando o futuro... Como gostei de trabalhar com crianças resolvi fazer o curso de magistério. Bem, comecei a fazer esse curso na Escola Estadual Luís Antônio e no começo foi difícil porque não eram todas as pessoas compreendiam a inclusão. Precisei até fazer uma carta para os professores dizendo isso no fim do primeiro ano. Tive muita dificuldade com os professores e com algumas colegas. Tinha gente preconceituosa e gente que tentou me explorar. Foi difícil. Mas em 2003, na 3ª série, tudo começou a mudar e foi muito bom para mim com meus colegas de sala. Nesse ano, eu fiz o pré-estágio no NEI ? Núcleo Educacional Infantil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Depois, em 2004fiz o estágio final na Escola Municipal Emília Ramos. Gostei muito desses trabalhos aprendi com as crianças e professoras que foram legais comigo. Sempre me dou bem com as crianças e adorei trabalhar junto com as professoras e as outras estagiárias aprendendo como fazer com os meus alunos na sala de aula. Em 2004 terminei o curso e me formei. Foi uma luta muito grande, mas consegui. Depois consegui fazer um estágio na Creche área de Saúde na UNICAMP, em Campinas, São Paulo. Eu fui convidada pela professora Maria Teresa Mantoan e outra pessoa, a professora Magali Arnais, que foram maravilhosas comigo. Esse estágio durou 14 a 18 de fevereiro daquele ano e eu adorei porque aproveitei muito e aprendi mais coisas sobre como trabalhar com alunos pequenos. Sonho trabalhar com meus alunos na sala de aula. Como auxiliar de professora. Tenho feito outras atividades como recepcionista de eventos no Programa Ação Dignidade, da nossa Associação e em lojas, nas férias. Também já desfilei três vezes. Mas gosto mesmo é de trabalhar com crianças. Quero fazer esse trabalho o resto da minha vida. Mas sei que não vai ser fácil. Meus pais me explicam isso. Tem muito problema para a gente trabalhar. Estamos procurando um jeito de resolver isto. E tenho certeza que vai dar certo. Inclusão- Revista da Educação Especial ? out/2005

 
 
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